Material ganha novo protagonismo com a valorização do rústico, da sustentabilidade e da restauração de imóveis; especialistas detalham espécies, acabamentos e manutenção
O piso de taco, símbolo de elegância e tradição desde a década de 1960, voltou ao radar de reformas e novos projetos no Brasil. O renascimento do estilo rústico e a preferência por materiais naturais impulsionaram a busca por revestimentos de madeira maciça, especialmente em imóveis antigos que passam por retrofit.
Em 2025, arquitetos e consumidores têm revisitado o material não apenas pela estética, mas pela durabilidade, capacidade de restauração e impacto ambiental positivo quando proveniente de fontes certificadas. As arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, do escritório Dantas & Passos Arquitetura, detalham as características essenciais para escolher, recuperar e manter o taco — um revestimento que, com os cuidados adequados, pode atravessar décadas.
LEIA TAMBÉM: Vinílico ou laminado? Como escolher o piso ideal para cada ambiente
Tradição, estética natural e a permanência do taco nas tendências
O taco marcou gerações e permanece como um dos pisos mais valorizados no mercado imobiliário. Sua beleza orgânica, os veios da madeira e a capacidade de transmitir aconchego sustentam seu uso em projetos contemporâneos. A associação com residências e edifícios de alto padrão reforça o prestígio histórico do revestimento.
Com o retorno dos acabamentos rústicos às tendências atuais, o material foi ressignificado, combinando autenticidade com possibilidades modernas de restauração e acabamento.
Ele é sinônimo de tradição e de uma elegância clássica. No entanto, é preciso se atentar para escolher bem o tipo de madeira, o acabamento, a instalação e até os cuidados especiais que o taco exige. Para quem acha que o seu piso antigo não serve mais, saiba que é possível sim recuperar o charme da madeira”, destacam Danielle Dantas e Paula Passos.

Personalização: espécies, cores e comportamentos distintos
A madeira escolhida define o tom e a personalidade do ambiente. Cada espécie possui nuances estéticas e exigências técnicas específicas. Danielle classifica quatro tipos tradicionais usados no Brasil:
- Ipê – alta resistência e coloração escura, ideal para projetos sóbrios e elegantes.
- Peroba-rosa – tonalidade rosada que adiciona calor e leveza.
- Jatobá – madeira densa e avermelhada, associada a ambientes sofisticados.
- Cumaru – tonalidade dourada e robustez contra impactos.
Além da escolha da madeira, o padrão de paginação influencia decisivamente o resultado visual. “O design chevron é atemporal por seu acabamento mais moderno e cortes angulados que formam um contínuo zig-zag. Já o tipo espinha de peixe é outro que se perpetua por seu efeito dinâmico, quando o de escama de peixe confere um visual mais artístico”, explicam as arquitetas.
SAIBA MAIS: Piso Vinílico: Conforto Acústico vem mudando a escolha de arquitetos
Acabamentos: vernizes e efeitos estéticos
O acabamento protege a madeira e define sua aparência final. As arquitetas recomendam o envernizamento como barreira contra mofo, cupins e umidade.
- Fosco – realça o aspecto natural e contemporâneo.
- Acetinado – brilho suave, equilibrado e versátil.
- Brilhante – efeito espelhado para quem busca sofisticação intensa.
As escolhas devem considerar nível de uso, iluminação e objetivo decorativo.

Benefícios duráveis e relação com sustentabilidade
Paula destaca vantagens que justificam o retorno do taco: materiais instalados há mais de 50 anos ainda permanecem íntegros quando bem cuidados; o revestimento valoriza o imóvel; a madeira certificada contribui para práticas responsáveis; e o toque térmico da madeira cria sensação de conforto em qualquer estação.
Ainda na questão da sustentabilidade, o reaproveitamento de tacos antigos em novos projetos ou a reciclagem da madeira para outros usos contribuem para a redução do desperdício. A madeira é um recurso renovável, desde que manejada de forma responsável, e trabalhar por produtos certificados é uma contribuição efetiva da arquitetura com vistas à preservação das florestas e a redução do impacto ambiental”, reforçam as arquitetas.
Instalação: preparo do contrapiso e cuidados essenciais
A instalação exige precisão técnica. O contrapiso deve estar nivelado e completamente seco para evitar descolamentos futuros. Umidade excessiva é uma das principais causas de danos, por isso a inspeção prévia é indispensável.
A aplicação pode variar conforme o padrão de paginação escolhido e demanda mão de obra especializada para garantir alinhamento, encaixe e estabilidade.
VEJA TAMÉM: Reformas Sustentáveis: Vantagens dos Revestimentos Vinílicos
Manutenção cotidiana: limpeza, proteção e prevenção
A rotina de cuidados preserva o brilho natural e evita danos cumulativos.
- Limpeza diária: vassoura de cerdas macias para evitar riscos; aspirador apenas com acessórios próprios.
- Sujeira pesada: pano levemente umedecido em água morna com detergente neutro diluído.
- Secagem imediata: pano seco para remover umidade residual.
Danielle reforça a importância de evitar exposição direta ao sol e contato prolongado com água. Tapetes ajudam a proteger áreas de maior circulação e evitam riscos causados pelo deslocamento de móveis.
Tacos soltos: reparos simples e quando chamar um técnico
Peças soltas exigem atuação rápida para evitar danos estruturais. Técnicos especializados garantem melhor acabamento, mas há soluções provisórias:
Retira-se o taco, raspa-se o fundo para remover resíduos e aplica-se cola de madeira, reposicionando a peça. É necessário proteger a área com fita e aguardar 48 horas de secagem. Em restaurações, o lixamento e a harmonização da cor entre peças antigas e novas são fundamentais.
Quando muitos tacos estão comprometidos, a substituição total pode ser necessária — sempre após identificar a causa, geralmente a umidade.
Riscos, manchas e desgaste: como recuperar a aparência
Para danos leves, a mistura de vinagre branco com óleo de cozinha ajuda a reidratar a madeira e suavizar riscos. “O óleo reidrata a madeira, ajudando a disfarçar os riscos. Para riscos mais profundos, o ideal é lixar a área danificada e reaplicar o verniz”, explica Danielle.
A raspagem é um processo que renova completamente o piso, removendo imperfeições e permitindo nova aplicação de acabamento. O procedimento pode ser repetido ao longo de décadas.
Frestas e infiltrações: riscos e soluções
Frestas acumulam sujeira, água e fungos, afetando tanto o piso quanto a saúde dos moradores. A calafetação é o método mais eficaz: a massa preenche os vãos, nivela a superfície e cria proteção contra infiltrações. O procedimento é recomendado tanto para pisos novos quanto restaurados.
O procedimento é essencial tanto para pisos novos, quanto para os restaurados, garantindo longevidade e a manutenção diária”, reforçam as profissionais.


![[Calculadora de Água Online] Como Economizar e medir seu Consumo [Calculadora de Água Online] Como Economizar e Medir Seu Consumo](https://diretoaqui.com.br/wp-content/uploads/2024/09/Calculadora-de-Agua-Online-Como-Economizar-e-Medir-Seu-Consumo-400x200.jpg)








