Ainda vale a pena comprar imóvel com Selic a 15
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Ainda vale a pena comprar imóvel com Selic a 15 %?

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic para 15 % ao ano, anunciada em junho de 2025, trouxe uma forte onda de repercussões no mercado financeiro e, especialmente, no setor imobiliário. Trata-se da maior taxa básica de juros desde 2006, e sua elevação reforça a postura do Banco Central em conter as pressões inflacionárias persistentes na economia brasileira.

Diante desse cenário, muitos potenciais compradores de imóveis se perguntam: “Ainda vale a pena comprar um imóvel com os juros tão altos?” A dúvida é legítima, afinal, taxas mais elevadas tornam o financiamento mais caro, reduzem a liquidez no mercado e podem gerar um freio temporário na valorização de ativos. Contudo, a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”. Com a análise correta do contexto macroeconômico e das oportunidades do mercado imobiliário, é possível identificar motivos sólidos pelos quais a compra de um imóvel ainda pode ser vantajosa, mesmo neste momento de juros elevados.

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O que motivou o novo aumento da Selic?

O Copom justificou a elevação da Selic com base em quatro fatores centrais: a inflação acima do centro da meta, o descolamento das expectativas do mercado, a resiliência da atividade econômica e a necessidade de reforçar a credibilidade do Banco Central.

Apesar de sinais de desaceleração nos índices recentes, o IPCA acumulado segue em patamar elevado, girando em torno de 5,3 % ao ano, o que está consideravelmente acima da meta central de 3 % estabelecida para o período. Além disso, o BC observou que as expectativas futuras de inflação permanecem desancoradas, ou seja, os agentes do mercado continuam projetando inflação acima da meta para os próximos anos, o que pressiona a autoridade monetária a agir de forma mais firme.

A economia brasileira, por sua vez, tem demonstrado uma resiliência acima do esperado. A atividade segue aquecida, impulsionada por estímulos fiscais, melhora no mercado de trabalho e um câmbio valorizado. Esses elementos, combinados, reduzem a eficácia de políticas monetárias mais suaves, exigindo do BC uma abordagem mais agressiva. Por fim, o aumento da taxa também visa resguardar a credibilidade institucional, sinalizando ao mercado que o Banco Central está comprometido com o controle inflacionário, mesmo que isso implique uma dose extra de sacrifício no curto prazo.

Ainda vale a pena comprar imóvel com Selic a 15 
Gráfico: Direto Aqui Imóveis

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O impacto da Selic no setor imobiliário

O reflexo imediato do aumento da Selic é sentido no custo do crédito. Como a taxa básica serve de referência para todas as demais taxas da economia, os financiamentos imobiliários também ficam mais caros. Um financiamento de R$ 500 mil, por exemplo, pode sofrer um aumento de mais de 30 % no valor da parcela mensal. Para o comprador final, isso representa uma perda direta de poder aquisitivo, afastando muitos consumidores do mercado e reduzindo o número de transações.

Além disso, investidores que antes viam o setor imobiliário como uma alternativa interessante para diversificar a carteira agora voltam parte de sua atenção para ativos de renda fixa, que passam a oferecer rendimentos atrativos com risco muito mais baixo. Isso tende a reduzir, momentaneamente, o ritmo de valorização dos imóveis em geral — principalmente em segmentos de alto padrão ou imóveis de liquidez menor.

Por outro lado, esses efeitos não são necessariamente negativos para todos os compradores. A retração do mercado, combinada com um cenário de crédito mais seletivo, pode abrir excelentes oportunidades de negociação com vendedores mais flexíveis. Além disso, para quem tem poder de entrada elevado, ou pode comprar à vista, o cenário atual pode ser um terreno fértil para boas aquisições com preço abaixo do valor real de mercado.

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Por que ainda vale a pena comprar imóvel mesmo com Selic alta?

Apesar do aperto monetário, o mercado imobiliário continua sendo uma das formas mais sólidas e seguras de construir patrimônio no longo prazo. A seguir, listamos algumas razões que sustentam essa visão, mesmo em meio ao atual ciclo de juros elevados:

  1. Proteção contra a inflação: Imóveis têm a capacidade histórica de preservar e até aumentar o valor real do patrimônio investido. Em ciclos inflacionários, o preço dos imóveis tende a acompanhar ou até superar a inflação, protegendo o investidor de perdas no poder de compra. Além disso, contratos de aluguel são geralmente indexados a indicadores inflacionários, o que mantém a rentabilidade do ativo mesmo em contextos adversos.
  1. Potencial de renda passiva: Investidores que compram imóveis para locação podem obter retornos brutos entre 5 % e 6 % ao ano, dependendo da localização e do perfil do imóvel. Com a Selic alta, muitos inquilinos postergam a compra da casa própria e permanecem no aluguel por mais tempo, aumentando a demanda por imóveis locados e, consequentemente, a possibilidade de manter imóveis ocupados com boa rentabilidade.
  1. Margem para negociação: Em um mercado menos aquecido, vendedores estão mais dispostos a conceder descontos, parcelar entradas, aceitar permutas ou incluir mobília no negócio. Estima-se que a margem média de negociação suba para até 8 % em ciclos de juros altos — margem que pode mais do que compensar parte do encarecimento do financiamento.
  1. Valorização futura com a queda da Selic: Todo ciclo de alta de juros é seguido, naturalmente, por um ciclo de afrouxamento. Quando a inflação estiver controlada e o BC começar a reduzir os juros — expectativa majoritária para o final de 2026 ou início de 2027 —, o mercado imobiliário deve ganhar novo fôlego. Historicamente, esse movimento costuma provocar uma valorização média entre 15 % e 25 % nos imóveis nos 24 meses seguintes ao início da queda da taxa.
  1. Segurança patrimonial: Ao contrário de ações e outros ativos financeiros, imóveis são bens reais e tangíveis, que não desaparecem com crises de mercado. Eles oferecem estabilidade, são menos voláteis e representam um excelente instrumento de reserva de valor, especialmente em tempos de incerteza econômica.

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Estratégias inteligentes para comprar bem agora

Para quem pretende comprar um imóvel mesmo com a Selic em 15 %, algumas estratégias podem aumentar a viabilidade e segurança do investimento:

  • Dê uma entrada robusta: quanto maior a entrada, menor a dependência de financiamento e, portanto, menor o impacto dos juros.
  • Negocie com calma e firmeza: use o cenário econômico como argumento para obter condições mais vantajosas.
  • Escolha imóveis com bom potencial de renda: unidades próximas a polos educacionais, centros comerciais e hospitais tendem a ter alta liquidez para aluguel.
  • Pense no longo prazo: o imóvel é um investimento que se valoriza no tempo. Comprar bem hoje pode render frutos daqui a 5 ou 10 anos, quando o mercado entrar em nova fase de crescimento.

 Conclusão

O aumento da Selic para 15 % é uma resposta firme do Banco Central diante da pressão inflacionária persistente, mas não deve ser visto como um obstáculo absoluto para quem deseja adquirir um imóvel. Ao contrário: com visão estratégica, planejamento financeiro e foco no longo prazo, o cenário atual pode ser propício para grandes oportunidades de compra.

O mercado imobiliário continua oferecendo proteção de valor, geração de renda e segurança patrimonial. E, para aqueles que conseguem negociar bem e tomar decisões racionais em momentos de cautela do mercado, o retorno sobre o investimento pode ser ainda maior quando os ventos mudarem e a Selic voltar a recuar.

Comprar bem em tempos difíceis é, historicamente, uma das formas mais inteligentes de construir patrimônio. A Selic alta é um desafio, sim — mas também pode ser uma porta aberta para quem sabe onde pisa.

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